O pesquisador Luis Carlos Magalhães, a
exemplo do que faz com os sambas cariocas, e, recentemente fez com os sambas de
Uruguaiana/RS, felizmente aceitou o nosso convite para realizar uma breve
análise dos sambas 2014 que estarão na Avenida Presidente Vargas nos dias 03 e
04 de março.
Ele é diretor cultural da Portela, comentarista
da Rádio Tupi e colunista do site Carnavalesco.com
Baseados nos títulos do Enredo, nos áudios e nas letras, Luis Carlos Magalhães
nos remeteu, via e-mail, as seguintes conclusões:
"Achei ótimo o nível e o astral dos sambas". (L.C.M.)
- UNIDOS DA TAMANDARÉ:
Aqui também o enunciado do enredo e a letra do
samba são mais que suficientes para suprir a sinopse. Tal como aqui no Rio (como
MOCIDADE INDEPENDENTE) os compositores não perderam a chance de dar um
"forrozeada" bem no meio da primeira parte. É o samba que tem os dois
refrãos mais equilibrados. O único risco que sinto é a grande quantidade de
informações contidas na segunda parte. Costuma prejudicar o encadeamento dos
versos entre si, tornando difícil a elaboração melódica. Mas o samba é forte,
vai fazer a escola pisar forte. A conferir na avenida.
- ACADÊMICOS DO CAMPO DO GALVÃO:
É o samba do ano. Em princípio achei que era
alusivo aos 40 anos de carnaval de Guaratinguetá. Quando vi a data da fundação
percebi que era aniversário da escola. É empolgante e bem feito. Usa bem os
tempos vagos, espaços vazios para evitar atropelos na métrica bastante comuns
nos sambas daí, pelo menos deste ano. Cita fatos e baluartes na medida certa a
não se tornar mais um samba "enumerativo" com fatos e nomes em
quantidade que prejudique a melodia.
- MOCIDADE ALEGRE DO PEDREGULHO:
Aqui senti falta da sinopse. O
simples enunciado do enredo não deixa claro a intenção do enredo. É o FREVO? Ou
será o FREVO se destacando em meio aos demais ritmos brasileiros?
Se for a primeira hipótese, acho que pode perder
alguns décimos porque viaja em torno desses ritmos tirando o foco do FREVO
(samba, maracatu, maculelê, maxixe, gafieira, capoeira), mas, se for a segunda
hipótese (e tomara que seja) o enredo abre possibilidades para mostrar a
coreografia da lundu, maxixe, polca, e até a umbigada que acabaram por formar
nossa cultura musical. Aí vai ser show de bola. E nesse sentido o samba vai “acontecer",
com certeza.
Há uma "forçadinha de
barra" na métrica do último verso do segundo refrão: "Um 'fervo' nos
pés e sombrinha na mão". Penso que a solução ali seria "fervo nos pés
com sombrinha na mão".
De uma maneira ou de outra, confesso ter ficado um
pouco confuso com a expressão "SAMBAR com meu amor do trio ao Galo da
Madrugada". Será que alguém consegue "sambar" no Galo da
Madrugada? Ou será aqui uma licença poética? Com a palavra os julgadores
oficiais.
- EMBAIXADA DO MORRO:
Muito boa ideia do enredo; muitas
possibilidades de desenvolvimento. Tanto que neste caso a sinopse (que pra mim
é fundamental na análise) não fez falta. O próprio enunciado do enredo e a
letra do samba foram mais que suficientes.
Para o desfile, tenho certeza que o samba vai
superar sua função primeira de ser a trilha sonora do enredo. Mais que isto,
tem bons momentos que certamente pesarão na boa nota que prevejo que alcance.
Um senão fica por conta daquela "forçadinha de barra" na métrica do
último verso do segundo refrão: (...) quando a embaixada (...). Passaria até
mais facilmente se não fosse no refrão. E, sabemos, falha de métrica no refrão
final...é fatal.
- BONECOS COBIÇADOS:
Outro samba que não precisou do
auxílio da sinopse. Muito bom. Gostei muito. Nada a acrescentar. Bem feito,
puxa-escola, harmônico, equilibrado nas duas partes e dois refrões. Além
disso... tem um belo enredo.
- BEIRA RIO DA NOVA GUARÁ:
Rapaz, não consegui nenhuma referência
sobre AONDÉ Ñ AMANDU. Quanto à melodia, é o samba melhor resolvido em seu
conjunto primeira parte/refrão. Mas é também o que foi menos na segunda parte.
Dá impressão que um compositor fez a primeira, e foi feliz, e outro compositor
fez a segunda, e não foi feliz. Ficou assim um samba irregular, com uma bela
primeira parte. Por mim perderia ponto também pela forçadinha na métrica (mais
uma vez este ano) no começo do segundo refrão.
Por Luis Carlos Magalhães
Pesquisador e Colunista Carnavalesco

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