Saudações, sambistas da Terra de Frei Galvão e de tantos
filhos ilustres.
Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que em minhas
opiniões veiculadas nesse artigo, não existe qualquer correlação com o meu
afastamento do Carnaval de nossa cidade (não sei se temporário, ou definitivo),
ainda que o sentimento de desânimo tome conta, principalmente quando o assunto
é o futuro dessa tão tradicional festa popular. E mais, nada pessoal contra
quem seja; aliás, não tenho inimizades no meio (pelo o que eu saiba).
Depois de trabalhar 12 anos ininterruptos (sendo dois
deles, sem os desfiles oficiais) na administração direta e na gestão de
Carnaval da Escola de Samba “Embaixada do Morro”, com 5 títulos e um
tri-campeonato, posso dizer que aprendi muita coisa. Sem falar no antigo
Colegiado das Escolas de Samba e na “O.E.S.G.”, atuando em 5 diretorias
diferentes. Passei por todos os setores internos de uma agremiação e
organizações do Carnaval, além de trabalhar na parceria com o Poder Público
Municipal.
Portanto, conheço muito bem “os dois lados da moeda” e, por isso,
pela solicitação do colega Paulo dos Santos, proprietário desse distinto “Blog” Carnavalesco, deixo minhas impressões nesse texto.
Dentro desse tempo em que vivenciei o samba diariamente e
na pesquisa histórica cotidiana pelo o que já tinha ocorrido anteriormente,
posso afirmar que nunca vi um quadro tão ruim para o nosso Carnaval. Incluindo
pessoas, valores e administrações. Daí, o meu sentimento de desânimo. Para quem
já teve Lourival Braz de Campos Filho, João Mod, Paulinho Credídio, Gilberto
Fortes, Família Graglia, Eduardo Madeira e muitos outros, para que não seja
feita nenhuma injustiça (são os nomes que me vieram em mente), a distância é
incomensurável. Não existe uma renovação sadia, agregando conhecimento técnico
e respeito mútuo entre as pessoas. Não basta somente ter força de vontade. É
necessário ter idoneidade. Ter conduta retilínea. Ser íntegro, socialmente
falando. E isso está passando longe. Qualquer um se candidata a qualquer cargo
e já está à frente do departamento que quiser. É lastimável. Acabou-se a
credibilidade. Nosso Carnaval virou “Terra de Ninguém”!
Diante desse panorama, fica o meu completo desalento
quanto ao amanhã de tão tradicional Festa Momesca. Se o presente é péssimo, o
que está por vir?... Bom, ainda acho que existe uma luz no final do túnel: a
“COMCAR” (Comissão de Carnaval), designada pela Prefeitura Municipal, que torço
para que seja composta por pessoas competentes, respeitadas em áreas distintas,
que podem colocar “ordem na casa” e dar um norte em nosso Teatro de Rua.
Um grande abraço a todos !
Por TIAGO DOMINGOS
Carnavalesco, Enredista e Ex-Dirigente do Colegiado das
Escolas de Samba e da “O.E.S.G.”

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